Para sempre ou nunca mais

Para sempre ou nunca mais.

“Nada apressa mais o pagamento dum cardiologista, quanto uma nova arritmia”.

Carlos Nobre

As pessoas sadias fogem do contato com pessoas doentes. Essa regra é aplicável a quase todo mundo. Os médicos são uma exceção. Não temem nem os sadios nem tampouco os doentes. Os doentes, por sinal, são sempre mais interessantes que os sadios. As palavras dos doentes, inclusive dos que são capazes apenas de balbuciar, sempre são mais importantes que as palavras dos sadios. A noção do tempo, ah… a noção do tempo dos doentes, que tesouro escondido num buraco do deserto.

A família, tinha me escolhido para desligar os aparelhos. Com a tristeza da perda e do contraditório da profissão saio do hospital. Nunca mais.

Encontro dois amigos de sempre, o Marco Aurélio e Raul Machado. A doce notícia: o primeiro Barco, que fará a travessia Porto Alegre – Guaíba será chamado de Carlos Nobre.

A alegria de recordar José Evaristo Villalobos Junior traz de volta à vida as figuras de Mauricio Sirostky, Pilla Vares, José Ribeiro (Gago), Aveline, e tantas outras figuras maravilhosas que vivenciaram os tempos românticos de ZH.

Em 1981, na inauguração da Sala Carlos Nobre, no restaurante Copacabana, nos deliciamos escutando ele cantar uma música que Lupicínio Rodrigues fez para ele: Zé Ponte.

Viveu em amores por Virgininha, sua grande paixão. Nos momentos ruins de sua vida deixava transparecer sua dependência afetiva a Virginia. E ela correspondia. E tinha uma coisa que é importante para qualquer homem amado. Ria com o humor de Nobre. Depois de tantos anos juntos, Nobre era ainda o seu homem amado engraçado.

Adorava o Boca (Chargista Marco Aurélio). No restaurante Copacabana só “abria os trabalhos” quando o Boca chegava, quase sempre atrasado, não tinha carro, vinha de táxi. Amigo sempre presente, na fase de muito sofrimento e de dor.

Nobre recebeu uma carta de Lupicínio. Nunca abriu. Ela foi escrita, 15 dias antes da morte de Lupi. Este sentimento de perda irreversível e irreparável que Nobre tinha sobre as pessoas, fez com que nunca abrisse esta carta.

Mereceu todas as homenagens. Hora de se despedir, afeto que se encerra, quando falávamos sobre a morte. Nunca Gostou. Não era humor..

Rui Peixoto

Medico Cardiologista.

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