Depressão. Como fator de risco para doença coronariana.

Depressão:

A depressão é um problema de saúde muito comum,  que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.  No Brasil, estima-se que 15% da população apresente um quadro depressivo ao longo da vida.

O que é:

Ao contrário do que muitos dizem,  depressão não significa tristeza.  A tristeza é um sentimento experimentado por todas as pessoas,  em algum momento da vida,  que em geral dura horas ou pouco dias.  A depressão vai muito além disso. Ela invade o indivíduo afetando não só o seu humor, mas também o seu comportamento e pensamento.

A tristeza profunda e abatimento são desproporcionais a qualquer causa alegada, e muitas vezes surgem sem nenhum motivo aparente. Além disso, a depressão perdura por semanas, meses e até anos, comprometendo a vida pessoal e profissional das pessoas. As relações familiares também podem ser prejudicadas pelas mudanças que ocorrem com o indivíduo e pela dificuldade dos familiares em compreendê-lo. Somente o deprimido sabe o quanto está sofrendo, a depressão é invisível, não sangra… As pessoas próximas muitas vezes não a compreendem por não “verem” a doença.

Hoje temos à disposição tratamentos efetivos para a grande maioria dos casos. Mesmo assim, estima-se que menos de 25% dos indivíduos afetados no mundo recebe tratamento adequado. Uma das principais razões para que isto ocorra é o estigma social associado aos problemas psiquiátricos, incluindo a depressão. Muitas pessoas ainda a consideram uma “fraqueza”, ou falta de “força de vontade”, até mesmo muitos indivíduos deprimidos, que se recusam a procurar ajuda. Outro equívoco comum é acreditar que sintomas depressivos seriam “normais” em determinados períodos da vida como a menopausa ou a terceira idade. Por impedir o acesso ao tratamento, estas idéias acabam impossibilitando que indivíduos acometidos pela depressão possam voltar a desfrutar da vida plenamente.

Consequências:

Como podemos observar, a depressão está associada a extremo sofrimento tanto para o paciente quanto para as pessoas que o cercam, especialmente os mais próximos. Seus sintomas repercutem não só na vida familiar, como também na vida social e profissional do indivíduo. É comum os amigos se afastarem dos pacientes deprimidos, muitos pacientes chegam a perder o  emprego em decorrência dos sintomas e até separações conjugais podem ser ocasionadas por quadros depressivos. Além disso, o abuso de álcool e de outras drogas com frequência está associado a casos de depressão. Muitos pacientes fazem uso de drogas como uma forma de obter alívio momentâneo dos sintomas, porém o quadro depressivo costuma ser agravado pelo uso de drogas, o que intensifica ainda mais o problema.

As consequências da depressão, no entanto, não se restrigem ao sofrimento pessoal e prejuízo funcional do indivíduo. Estudos demonstram que a depressão aumenta o risco de mortalidade por doença coronariana, podendo até ser um fator de risco para o desenvolvimento desta doença. A associação dos estados depressivos com câncer ainda não está bem estabelecida, mas já se sabe que a presença da depressão piora a evolução do câncer. Também existem estudos sugerindo que a depressão está associada a uma piora da evolução da AIDS.

Sintomas:

A tristeza não é o único sintoma da depressão e em algun casos nem é o mais importante. Existem diversos sintomas que caracterizam o quadro depressivo, mas nem todos precisam estar presentes para se fazer o diagnóstico. Dependendo da gravidade do quadro, o paciente irá apresentar um número maior ou menor de sintomas.

O indivíduo deprimido pode apresentar perda de interesse ou a incapacidade de sentir prazer em atividades habituais, mesmo aquelas que antes eram consideradas agradáveis. Para o deprimido tudo costuma parecer fútil ou sem importância, vazio e sem graça. Também são comuns os sentimentos excessivos de culpa, desesperança e baixa auto-estima, alterações do sono e do apetite, cansaço fácil e falta de energia, irritabilidade, ansiedade, indecisão e dificuldade de concentração, com consequente prejuízo da memória. Outros sintomas frequentes são a tendência ao isolamento, problemas sexuais como a falta de desejo sexual, dores pelo corpo e dores de cabeça. Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio podem ocorrer nos casos mais graves.

 

 

 

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One Response to Depressão. Como fator de risco para doença coronariana.

  1. Neusa Calegari disse:

    Parabéns Dr.Rui, é exatamente isso, parece que lê os nossos pensamentos!

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