Reabilitação de Cardíacos

A necessidade do exercício para manter a saúde física e mental, combatendo o sedentarismo data de 1818, quando um engenheiro britânico William Cubitt submetia os prisioneiros a  severos exercícios. Em 1840 o método do Dr. Cubitt foi modificado por ter sido considerado cruel e antihumano.

Em 1857 o cardiologista britânico Smith já media durante o exercício o ar inspirado, frequencia respiratória e pulso. Mas foi em 1929 que o médico norte- americano Dr. A. M. Master passou a usar o exercício para avaliar as condições cardíacas dos pacientes.

Acredita-se que o exercício possa estimular a circulação colateral do coração (artérias que aparecem com o exercício e aumentam a oxigenação das fibras musculares do coração) embora este fato não tenha sido comprovado através do estudo radiológico das artérias que irrigam o coração (cinecoronaritografia).

Além de estimular a circulação colateral, o exercício baixa os níveis de colesterol, promove a fibrinólise (que impede a formação de trombos) e melhora as condições do coração. Estudos epidemiológicos provam que realmente os indivíduos ativos são menos propensos a contrair o processo de aterosclerose coronária que pessoas sedentárias.

Há poucos anos atrás, os estudos epidemiológicos nos tornaram conscientes das complexas origens da doença coronária.

Inúmeros trabalhos realizados em quase todo mundo, procurando dados sobre hábitos de fumar, stress emocional (tensão nervosa), dieta alimentar, obesidade, vida sedentária, diabete mellitus, hipertensão arterial (pressão alta), alterações  no eletrocardiograma de repouso, exercícios e história familiar de doença vascular prematura e relacionando esses fatores com a maior incidência de aterosclerose coronária. Esses são chamados
fatores de risco coronariano que segundo as palavras do Dr. StamIer: seriam anormalidades, demonstráveis em pessoas livres de doença coronária conhecida, com significante aumento de risco em desenvolver a doença nos anos subsequentes. Baseados no conhecimento desses fatores os cardiologistas de todo mundo passaram a se preocupar não somente com o diagnóstico precoce e no uso de medicação, como principalmente na prevenção das cardiopatias.

Não resta dúvida que o aspecto essencial seria a prevenção primária, isto é, a identificação de indivíduos que não
apresentam evidência clínica da doença, mas que são candidatos a desenvolver a moléstia prematuramente.

Atualmente com o progresso técnico, em um laboratório de eletrocardiografia dinâmica, em que os pacientes são submetidos a teste submáximo de esforço com controle de eletrocardiograma, pulso, pressão arterial e consumo de oxigênio, pode ser feito o diagnóstico precoce da doença coronária.

A grande preocupação no momento é principalmente a reabilitação de pacientes que já apresentam aterosclerose coronária.

Por exemplo, a reabilitação de pacientes, com incapacidade músculo esquelética visa a restauração das funções físicas, mental e social, desta forma permitindo ao indivíduo viver uma vida de máxima utilidade para a sua comunidade. O paciente cardíaco, por outro lado, está sujeito a uma  incapacidade que se, primariamente  não afeta a   atividade motora, pode ser na maioria das vezes mais incapacitante.

Segundo o cardiologista americano Dr. Zohman a incapacidade do cardíaco é uma “‘incapacidade encoberta”. Um paciente com uma perna amputada, por exemplo, é inequivocamente considerado como incapaz. Mas porque o cardíaco geralmente sobrevive a seu problema médico, agudo ou  crônico, com um estado de debilitação menor do que a invalidez é que o acesso à reabilitação torna-se essencial para a recuperação de sua potencialidade máxima.

A reabilitação do cardíaco é baseada em uma sólida avaliação médica, da sua cardiopatia. Esta avaliação é feita em Centros de Reabilitação e Prevenção de doenças Cardiovasculares. Nesses centros o paciente é submetido inicialmente, em um laboratório de eletrocardiografia dinâmica, a testes para avaliação da capacidade funcional do coração. Esses testes é que nos responderam a que nível esse paciente pode ser reabilitado e se a cardiopatia que o paciente apresenta permite reabilitação.

Após estabelecida a capacidade funcional do coração o paciente submete-se a exercícios programados.

Que tipos de pacientes são reabilitados?

São reabilitados os pacientes que apresentam a doença coronária e estão assintomáticos, prevendo desta maneira as complicações da aterosclerose coronária, ou seja, o infarto do miocárdio, angina do peito e insuficiência cardíaca.

Os pacientes que já apresentaram infarto do miocárdio, ou que recentemente saíram da crise aguda, já podem entrar em um programa de reabilitação. O tempo esperado após a fase aguda é o início dos exercícios é somente 3 meses.

Com os pacientes que apresentam angina do peito, a programação é mais elaborada, porque teremos que precisar com que carga de trabalho o paciente apresentará dor anginosa. Após, com ajuda de vasodilatadores coronarianos (comprimidos sublinguais que cessam a dor rapidamente) os exercícios são gradativamente aumentados.

Com relação ao infarto do miocárdio e angina do peito, entre inúmeros autores o Dr. Brumer em Israel, observou durante um ano dois grupos de pacientes. Um grupo que se submeteu a exercícios físicos e outro grupo que não se exercitou. Notou grande melhora física e psicológica no grupo exercitado, como também menor incidência de complicações.

Outro autor, o norte-americano Hellerstein, relatou melhora de mais de 90% de seus pacientes.

Os pacientes que se submeteram a cirurgia cardíaca, com colocação de ponte de safena ou implantação da artéria mamária, como também os que colocaram válvula cardíaca artificial, representam outro tipo de pacientes a serem reabilitados.

Finalizando, devemos ter em mente que somente o exercício não previne a aterosclerose coronária ou suas complicações, ou melhor, a vida sedentária torna-se evidente com o fator de risco quando associada a um ou mais fatores de risco coronarianos.

A Organização Mundial de Saúde tem intensificado suas pesquisas neste setor.

Usando as palavras do ilustre professor Luiz V. Decourt para dar uma ampla visão do problema da aterosclerose coronária: 0 homem ainda não se adaptou ao tipo de civilização que veio a construir. E permanece em estado de constante mobilização.

Rui Peixoto
Médico Cardiologista

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8 Responses to Reabilitação de Cardíacos

  1. claudet carlsson disse:

    Muito bom ter a nóssa disp..respostas dadas por um profissional do gabarito do Dr.RUI PEIXOTO.Muito obrigada e parabens.

  2. cardiologista rui peixoto disse:

    Paulo Fonseca, muito feliz com os teus comentários.Um abraço.Cardiologista Rui Peixoto

  3. Paulo Fonseca disse:

    Parabenizo ao Dr. Rui Peixoto, pela competência e notória satisfação ao responder com tanto carinho seus leitores.
    Uma nação se constroi com homens assim, cujo perfil profissional, nos dá exemplar influência de que uma das maiores graças da vida é o Amor e Respeito pelo próximo.
    Saúde e vida longa para o cardilogista Rui Peixoto.
    Deus o abençõe !
    Paulo Fonseca

  4. cardiologista rui peixoto disse:

    Maria Isabel ,sinto-me honrado.Atenciosamente Dr. Rui Peixoto.

  5. belfisio disse:

    Boa Tarde,
    Gostei muito de seu texto! Sou estudante de Fisioterapia, tenho um blog e se me permite gostaria de citá-lo no mesmo.
    Atenciosamente,
    Maria Isabel

  6. zenilton vicente de paula disse:

    Dr Rui já salvei o seu site e vou acompanhar assim que estiver no computador, gostei muito e vou indicar aos colegas. Seja sempre abençoado para poder nos abençoar com seus conhecimentos. parabéns.

  7. cardiologista rui peixoto disse:

    Elquisson, quando comecei na Prevencor, prevenção e reabilitação de cardiopatias, iniciei um novo mercado de trabalho para os fisicultores.Atualmente, nas clínicas de reabilitação ,vejo com satisfação a presença dos prof. de Educação física programando e executando os exercicios para pacientes pós Infarto, pós safena etc..Meus cumprimentos.Rui Peixoto

  8. Boa Tarde Dr. Ruy!
    Muito bom seu artigo ,achei super interessante,pois sou professor de Ed. Física e trabalho com muitos atletas e ativos. Fica aqui minhas considerações e fazer que suas citações sejam publicadas por todos na minha área.
    Atenciosamente
    Prof. Elquisson Castro
    Cref. 2744G / Ba

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