Correndo sem medo

A primeira referência de morte súbita imediatamente após atividade física intensa ocorreu em 492 a.C., em seguida a uma luta entre 15 mil invasores persas e 11 mil gregos na Baía de Maratona. Os gregos venceram, e a notícia da vitória, na falta de outros meios de comunicação, foi levada a Atenas por Phidippides que correu 35,4 km sem parar e quando chegou no centro da praça do mercado, gritou: “vencemos” – e surpreendentemente, caiu morto. Foi assim que teve origem a prova da maratona, isto é, inspirada em uma corrida que terminou em morte súbita.

Em 1961, a necropsia de Clarence DeMar, falecido aos 70 anos, depois de participar de mais de mil corridas e apelidado de Mister Maratona e Maratonista de Boston, mostrou artérias coronárias com diâmetro de duas a três vezes maior do que o diâmetro normal e com mínima manifestação de aterosclerose coronariana.

Baseado neste achado, foi defendida, por muito tempo, a tese de que maratonistas não desenvolviam processo aterosclerótico. Esta afirmativa causou polêmica e vários relatos foram publicados de corredores que vieram a morrer subitamente e que o exame necroscópico do coração mostrava doença coronariana obstrutiva.

Em 1961, uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que 24% dos norte-americanos adultos exercitavam-se regularmente. Este número elevou-se para 47% em 1977, logo após as publicações dos livros: “Aptidão Física em Qualquer Idade”, de Kenneth Cooper, e do “Guia completo de corrida”, de Jim Fíxx.

Em 1984, outra pesquisa Gallup revelava que 59% dos norte-americanos adultos já estavam praticando exercícios físicos regularmente, enquanto os índices de morte por doenças cardiovasculares, de acordo com o “National Center for Health Statisfics” caiam de 511,6 em 1961 para 424,2 por 100 mil habitantes, em 1981. Assim, ao mesmo tempo que aumentava a prática regular de exercício pela população, as mortes cardíacas diminuiam.

Em 20 de julho de 1984, numa estrada rural de Vermont, Estados Unidos, Jim Fixx, internacionalmente conhecido pelo seu livro e defensor do exercício aeróbico, morreu durante uma de suas corridas de todos os dias com apenas 52 anos de idade.

A morte de Jim Fixx foi investigada por seu amigo Cooper, que, em seu livro “Correndo sem Medo”, relata que na necropsia ficou documentada cardiopatia coronária grave com obstrução de mais de 80% de três artérias coronarianas.

Quando o exercício é o assassino? Quando realizado de maneira exaustiva na presença dos chamados fatores de risco coronariano: hipertensão arterial, colesterol elevado, fumo, história familiar de cardiopatia, diabetes e stress, independente do sexo, cor ou faixa etária sem uma prévia avaliação cardiovascular.

Dr. Rui Peixoto
Médico Cardiologista

Anúncios

One Response to Correndo sem medo

  1. Fortunato disse:

    sou um leigo. entretanto, as colocações do Dr. Rui Peixoto sobre este assunto, são elucidadoras e motivadoras para quem como eu pratica a corrida como meio de vida e não de morte. Obrigado. vou comprar o livro do Dr. Keneth Cooper.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s