O coração é meio profeta

(Provérbio iídiche)

Palavras do estimado diretor da Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre, professor Dr. Heitor Cirne Lima:

“Descartes dividiu o homem entre corpo e alma e estabeleceu que o primeiro seria objeto da ciência, e a alma – bem, a alma a Deus pertence. Nas mesas de anatomia, os cadáveres foram homens tão sonhadores e cristãos como os senhores. Medicina é corpo e mente”.

O avanço técnico-científico da biomedicina trocando o coração através dos transplantes, as válvulas cardíacas por próteses e biopróteses, o sistema de condução por “marca-passo”, alterando o sistema coronário com as pontes de safena, as angioplastias, as angioplastias com stent, esquecemos as palavras da aula inaugural.

Em Harvard School, nos Estados Unidos, escola arraigada nos mandamentos da biomedicina, foram introduzidos, recentemente, cursos sobre a religiosidade e espiritualidade em seus currículos. A Universidade Georgetown, há sete anos, vem procurando adaptar seu currículo tradicional às práticas da medicina integrativa – interacão corpo e mente.

Há muito tempo, exercemos a medicina atentos aos aspectos emocionais dos pacientes, sabemos que alguns evoluem de forma diferente de outros que têm a mesma doença.

Dr. Marcos Boulos, infectologista da USP, de maneira simples e objetiva, afirma:

“Pessoas otimistas têm mais chances de viver do que os pessimistas, mesmo nas doenças infecciosas – psico-neuro-imunologia”.

Em busca do que sentiram durante uma parada cardíaca entrevistamos 20 pacientes que estão em acompanhamento ambulatorial. A grande maioria não recorda o acontecido. Alguns, entretanto, contam histórias – o mundo era azul, branco, muita paz. Os relatos, sem valor científico, devido ao edema cerebral após uma parada cardíaca, vão ao encontro dos achados da literatura mundial.

Os cursos de espiritualidade e religiosidade de Harvard e Georgetown estão acima das explicações da biomedicina?

Ficamos com os dizeres do escritor colombiano Álvaro Mutis:

Voltei a pensar que nada sabemos da morte e que tudo que dizemos dela, inventamos e propalamos, são fantasias pobres, que não têm nada a ver com o fato inexorável, necessário, inelutável, cujo segredo, se é que existe algum, levamos ao morrer.

ZERO HORA
15/03/2008

Dr. Rui Peixoto
Médico cardiologista

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