O Coração e o Consumo de Peixes nas Ilhas Japonesas

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A procura de fatores responsáveis pela oclusão das artérias coronárias por gordura (aterosclerose) tem sido objeto de muitos estudos epidemiológicos. Quando se fala em epidemiologia na aterosclerose coronária, procura-se a sua distribuição na população, segundo idade, sexo, área geográfica, tempo e outras variáveis, bem como o conhecimento de suas determinantes.

Os fatores de risco coronariano, são certos atributos que estando presentes em indivíduos sem a doença, fazem com que eles venham a apresentar, nos anos subseqüentes, um risco significativamente maior de contrair a doença, principalmente em idades menos avançadas.

O estudo epidemiológico, mais famoso de detecção dos fatores de risco foi o de Framingham em Massachussets nos Estados Unidos. Uma comunidade de 5.000 pessoas de classe média, participou, durante 20 anos,desse estudo. Na conclusão de Framingham, os três fatores que mais incindiram nos indivíduos que apresentaram o primeiro evento coronariano foram: colesterol total, a pressão alta e o fumo.

São inúmeros os estudos na literatura médica mundial que comprovam estes achados, inclusive com outras abordagens. Uma delas, recentemente descoberta, é o colesterol HDL e LDL. O LDL são lipoproteínas de baixa densidade, com receptores na íntima das artérias coronárias, para receber este tipo de gordura e iniciar a formação da placa gordurosa. O HDL são lipoproteínas de alta densidade que se ligam ao colesterol livre, encaminhando-o ao fígado para metabolizá-lo e eliminá-lo do organismo pelo intestino. Os triglicerideos são precursores das lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), que é a rota que mais transporta gordura do sangue para as paredes das artérias coronárias.

A mesma intensidade de investigação científica que tem sido usada na busca das causas da aterosclerose, tem sido, também usada na prevenção e tratamento de fatores que possam afastar ou retardar o depósito de gorduras.

O resumo feito sobre epidemiologia, colesterol HDL, LDL e triglicídeos é o gancho inicial para falarmos da interação destes fatores com o consumo de peixe e a doença coronariana.

No estudo conhecido como NI-HON-SAN, que comparou homens japoneses de 45 à 60 anos, vivendo no Japão (Hiroschima e Nagazaki), Honolulu e na cidade de S. Francisco, nos Estados Unidos, a incidência de Infarto do Miocárdio e Morte Súbita, foi maior nos japoneses que viviam na cidade de S. Francisco, comparativamente às cidades nipônicas, sendo intermediário em Honolulu. As diferenças estatísticas acompanharam os níveis de colesterol e consumo de peixes.

No Japão os índices de mortalidade mais baixos por doença coronariana são encontrados na ilha de Okinawa, onde o consumo de peixes. é aproximadamente o dobro do consumo da ilha principal. Em outro estudo (CHIBA – Prefecture Japão) comparou-se uma vila de pescadores com uma vila de fazendeiros.

A média de consumo de peixe chegava a 250 gramas por dia, na vila dos pescadores e 90 gramas na vila dos fazendeiros. A mortalidade foi significativamente mais baixa na vila dos pescadores.

A média de consumo de peixe per capita no Japão – ilha principal – é de 100 gramas e 250 gramas na ilha de Okinawa e outras. Os esquimós, com um consumo de 400 gramas por dia de peixe, tem níveis significativamente mais baixos de colesterol e triglicídeos e níveis elevados de HDL.

Ainda não existe uma explicação biológica aceitável para a relação inversa entre o consumo de peixe (magro) e a doença coronariana, mas, contudo, a associação entre quantidade ingerida e a resposta observada sugere que esta relação tem importância biológica.

Baseando-se nos diversos estudos epidemiológicos e experimentais disponíveis em toda literatura médica, parece justificável, incluir a recomendação de um ou dois peixes por semana, nas orientações sobre dieta, para a prevenção da doença coronariana.

Dr. Rui Peixoto
Médico Cardiologista

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