A Ética, o Coração e as Células-Tronco

Em 1967, em Cape Town, África do Sul, o Dr. Cristian Barnard realizou o primeiro transplante de coração. Um paciente com cardiopatia grave, recebeu o coração de uma vítima de acidente, sobrevivendo dezoito dias. O Dr. Zerbini no ano seguinte, realizou o primeiro transplante na América Latina.

Sem o controle da rejeição, o ciclo dos transplantes, foi interrompido até a década de 80. Retomado com a introdução da Ciclosporina A.

O transplante de coração, representou para toda uma geração de cardiologistas a esperança de cura das cardiopatias graves, intratáveis clinicamente.

A Bioética na época, referia a ambivalência da vida e morte. Para existir um doador tinha que existir uma vítima.

Transplante, doação, são hoje um fato concreto e decisivo na vida médica.

Dr. Scorsin, pesquisador brasileiro, residente na França, demonstrou em um estudo que o transplante de células-tronco embrionárias em ratos adultos infartados, diminuía a área de infarto e melhorava o desempenho cardíaco.

As questões éticas e religiosas não permitiram a continuidade deste estudo.

As células-tronco embrionárias são capazes de dar origem a qualquer um dos 216 órgãos que formam o corpo humano e são retiradas do embrião na fase que atinge 26 células.

Células-tronco adultas são as que tem capacidade de se regenerar e se diferenciar em vários tipos celulares e são retiradas da medula óssea e do cordão umbilical.

As pesquisas na área de cardiologia, estão avançadas, usando células-tronco adultas no tratamento da doença coronariana e insuficiência cardíaca. Com relação as células-tronco embrionárias, questões éticas e religiosas tem dificultado o avanço destes estudos.

A Igreja Católica considera que haja vida a partir do momento da fertilização do óvulo e por questões dogmáticas, não aceita sua interrupção.

A Bioética considera perigosa a manipulação das células-tronco embrionárias, pois acredita que esse procedimento possa conduzir a seleção de indivíduos com base em características pré-definidas.

Como a geração dos transplantes, os cardiologistas da era atual deverão aguardar o avanço na biologia celular e a elucidação dos questionamentos éticos e religiosos para incorporarem em sua rotina terapêutica o uso de células-tronco.

ZERO HORA
26/09/2005

Rui Peixoto
Médico Cardiologista


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